fbpx

Um bom exemplo para explicar o que é teste de realidade.

Duas pessoas entraram na academia onde eu estava fazendo esteira.

Eu estava lá há mais de 30 minutos e começando a ficar entediado então comecei a observar o que essas duas pessoas estavam fazendo. Logo notei o padrão: Uma pessoa fazia os exercícios e a outra pessoa ficava sentada na bicicleta apenas olhando. Não estava orientando ou descansando, estava lá parada sem fazer exercício. Também não conversava ou mexia em seu celular. Estava lá parada, apenas existindo.

Sem que eu percebesse, comecei a julgar a “realidade” baseado nas minhas observações e crenças e logo comecei a criticar na minha cabeça a pessoa que estava lá na academia sem se exercitar. Logo já a rotulei pelo “seu sedentarismo”. Eu pensava: “Puxa, mas o que custa esta pessoa dar umas pedaladas? Já está lá, sentada na bicicleta, podia dar umas pedaladas para ficar mais em dia com a saúde”. E ai, imediatamente puxei o freio de mão do meu cérebro e parei com este comportamento de juiz de um tribunal da inquisição.

Que direito eu tinha de ficar julgando aquela pessoa daquele jeito?

E, que direito eu mesmo tinha de me sentir indignado (e portanto mal) frente a uma situação que nem me dizia respeito? Ai está um bom exemplo de como alguns paradigmas podem afetar nosso teste de realidade e causar emoções negativas.

Definição de teste de realidade

Teste de realidade é a capacidade que nós temos de observar e julgar os fatos de maneira objetiva, sem ser tomado pelas emoções.

O único fato que eu observei é que uma pessoa estava sentada em uma bicicleta ergométrica sem se exercitar. Todo o resto veio da minha própria cabeça. Sendo bem honesto, eu percebi de onde veio o meu julgamento tendencioso, veio de um paradigma que todos nós temos de senso de justiça. Eu tenho um paradigma que carrego comigo de que as coisas tem que ser justas: as tarefas divididas, as recompensas também. Então quando eu vi uma situação em que uma pessoa estava parada enquanto todas as outras (eu inclusive) estavam ser esforçando, permiti que uma série de pensamentos preconceituosos se instalasse.

No fim das contas eu descobri que a pessoa simplesmente não se exercitava porque estava se recuperando de uma contusão. Esta era a realidade.

E se não tivesse percebido meu erro de observar a realidade, iria julgar injustamente uma pessoa, rotulá-la de preguiçosa, me sentiria indignado (e portanto mal) e provavelmente lançaria uns olhares maldosos para esta pessoa SEM A MENOR NECESSIDADE.

Irônico que todo este julgamento tenha vindo de um paradigma meu de buscar condições justas – ele acabou causando uma situação exatamente oposta.

Aqui está a dica de hoje, portanto:

Analise bem suas crenças e paradigmas e observe ativamente como elas afetam a sua capacidade de julgar a realidade.

Às vezes fazemos julgamentos indevidos sem nem mesmo nos darmos conta. E mais: muitas vezes nem nos damos conta do quanto que o nosso comportamento muda em relação a algumas pessoas e situações por julgamentos que fazemos que não condizem com a realidade de fato. Basta observar o meu próprio erro:

  • JULGAMENTO:
    • A PESSOA NÃO QUER SE EXERCITAR, ESTÁ COM PREGUIÇA
    • EMOÇÕES GERADAS: INDIGNAÇÃO, DESCONTENTAMENTO
  • REALIDADE:
    • A PESSOA ESTAVA CONTUNDIDA E NÃO PODIA SE EXERCITAR
    • EMOÇÕES GERADA: EMPATIA, SOLIDARIEDADE

Não preciso nem comentar aqui o potencial perigo que este tipo de pensamento tem nos nossos relacionamentos pessoais e profissionais. Principalmente por que podemos fazer isso sem perceber. Eu gerei indignação quando na verdade poderia estar me solidarizando com aquela pessoa.

Pode ser difícil identificar no começo quais são as suas crenças e paradigmas, principalmente se você nunca parou para pensar nisso antes, mas quanto mais conhecer sua estrutura de pensamento, maior gerenciamento vai ter sobre as emoções que surgem ao observar e julgar a realidade à sua volta.

Termino esse texto com uma excelente frase de Aldous Huxley

A realidade não é o que acontece a você. É como você interpreta o que acontece com você. – Aldous Huxley

E você já cometeu erros de julgamento quando emoções estavam envolvidas?

Grande abraço e até a próxima!